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domingo, 20 de janeiro de 2013

3 VISTAS DO FAROL


1 - O CICLISTA - de Mohsen Makhmalbaf (1987)
 
2 - ESPLENDOR - de Ettore Scola (1989)
 
3 - O BELO ANTÓNIO - de Mauro Bolognini (1960)
 

Veredicto:
Todos merecem ser vistos !
 

1 - O CICLISTA (Bicycleran) - de Mohsen Makhmalbaf
Origem: Irão
Ano: 1987
Nota: **
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O CICLISTA é um filme mais etnográfico. Admito que é preciso um bocado de pachorra, às  vezes para ver. Eu tenho.
 
2 - ESPLENDOR (Splendor) - de Ettore Scola
Origem: Itália
Ano: 1989
Nota: **
 
 
 
O ESPLENDOR é outra coisa. Creio no entanto que se arrasta um pouco e deixa-se enredar no lugar comum e na caricatura.


Considero o Marcello  Mastroianni um dos melhores atores.
 

3 - O BELO ANTÓNIO (Il Bell'Antonio) - de Mauro Bolognini
Origem: Itália
Ano: 1960
Nota:****

O BELO ANTÓNIO  é quanto a mim, imperdível.
Creio que há aqui uma grande diferença em relação aos dois filmes anteriores.De qualidade, também...
Um retrato de uma certa Itália, mas universal.
Aliás, creio, que com um pouco de exagero, se pode dizer, que o tema de Shame é um meio plágio deste filme.
Um filme, que embora feito de forma académica, tem uma força narrativa, que obriga a pensar e é uma delícia para os olhos.
Claudia Cardinale, aqui com 22 anos ! Imaginem...
(Sem sacanagem).
 


 
 
 






















 


sábado, 19 de janeiro de 2013

00:30 - A HORA NEGRA


 
de Kathryn Bigelow, 2012
 
 
Um bom filme sobre os 10 anos de caça a Bin Laden.
Se   "Estado de Guerra" de 2008, outro filme de  Kathryn Bigelow , sobre a história bélica recente da América,  não  fazia  a apologia da guerra do Iraque,  " A hora negra", não faz a defesa da tortura, como já muita gente tem apregoado por aí.
 Comum entre estes dois filmes é o "estado de guerra", em que a América se vê envolvida, de forma diferente, mas interligada, como se, de certa forma, víssemos o mesmo filme, contado de forma diferente. A América às voltas com os seus inimigos e  fantasmas. Claro que é, em ambos os casos, quer queiramos, quer não, um certo "ponto de vista americano", que prevalece, sem o contraponto do "outro lado". Mas é ilusório pensar que o cinema - e isto é apenas um filme, convém não esquecermos - não induz e nalguns casos força,  o espectador numa  determinada orientação, politica, religiosa ou ética. O "outro lado", neste caso, convém não esquecer, esteve na origem  da  ignóbil chacina de mais de 3 mil pessoas. Acresce ainda que os americanos não são propriamente uns anjinhos,  e nem mesmo assim, visto essencialmente pelo prisma americano, o filme não cai na tentação maniqueísta, dos "bons",  contra "os maus", revelando uma complexidade e ambivalência , expressa por exemplo no foco da polémica, os bárbaros métodos de  tortura que, à primeira vista, parecem objecto de justificação no filme, quando na realidade, se alguma coisa o filme prova é que foram ineficazes, como bem notou  Mark Bowden,  o autor do livro "The finish - The killing of Osama Bin Laden" , pois não só não evitaram outros atentados sangrentos como  levaram à captura do alvo, apenas ao fim de penosos 10 anos. E mais se nota, que se quisesse fazer a apologia da tortura, mostrava-se um "terrorista",  a  "vomitar" informações vitais, imediatamente  após a instituição de tais "infalíveis métodos".
O essencial é que se trata de cinema, de um bom filme, magnificamente realizado e interpretado, que mostra factos dramáticos, quase de forma documental (baseado note-se, em fontes da CIA), e interpela  o espectador mais do que o doutrina. Uma  visão "Americana", é certo, mas com autocrítica - vejam-se as referências às informações erradas de um alto responsável da CIA, sobre a guerra do Iraque, à "vergonha" de Guantánamo e às dúvidas sobre a eficácia dos métodos de "interrogatório e persuasão".
Não se branqueia, o "estado de guerra" que perpassa nestes dois filmes, e não se embarca em pacifismos patetas, como  se, no pós 11 de Setembro, fosse possível, imaginar agentes da CIA, a interrogar prisioneiros como alguns próceres do humanismo idealizam:  "Vá lá amigo, colabore, seja bom muçulmano, quer um cafezinho ou um chá com bolachas?". Mas isso são questões laterais ao cinema em geral e a este filme em particular. Quanto "ao outro lado", é certo que seria matéria interessante de analisar e contrapor, mas manifestamente noutro filme.
00:30 -  A Hora negra ****

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Haneke e Tarantino : duas visões distintas sobre a violência no cinema

1.  Entrevista a Michael Haneke no Ipsilon, de 7 de Dezembro de 2012, a propósito, e não só, do seu fime "Amor".
 
 

Os filmes de terror, mainstream em particular, utilizam bem o  artifício de deixar os maus sobreviver, para fazerem sequelas.

- Mas esses filmes dão uma aparência irrealista à violência, tornando-a consumível. É como dar uma volta num túnel do horror: permito-me ter medo, mas sei que não me vai acontecer nada. Lembro-me de ter visto o Pulp Fiction, num cinema cheio de jovens e, na cena em que arrancam a cabeça a um tipo a tiro, quase caíam das cadeiras a rir.

E o Michael Haneke ?

Eu não. Não suporto a violência. Sou  alérgico a qualquer tipo de violência física. É errado representar a violência de forma consumível e cómica.

É curioso que diga isso.Os seus filmes não são isentos de violência.

Mas não a mostram, retirando-lhe o sensacionalismo, porque a atracção pela violência é obscena. Acho mais inteligente trabalhar com a fantasia do espectador. A fantasia é mais poderosa que qualquer imagem. Ouvir uma tábua do chão a ranger é pior que ver um monstro assomar à porta. Acho que todas as pessoas vivem com medo, é um estado fundamental da existência humana.

2. Ipsilon,  11 de Janeiro de 2013 - Quentin  Tarantino e as polémicas acerca do seu novo filme Western Spaghetti, "Django Libertado"
 

Tarantino confessa que se questionou. Falar de escravatura é coisa séria, mexe com fantasmas da América que ele tão bem conhece, ele que cresceu numa comunidade de negros de Los Angeles… Tarantino escolheu não fazer batota consigo mesmo…pegando num assunto cheio de tabus e dando-lhe uma linguagem contemporânea. A sua. Polémica mas actual. E divertida, há sempre quem acentue…

Estão aqui os ingredientes: escravatura, western spaghetti com o cowboy-escravo, a lutar aos tiros pela sua causa, e uma história de amor e resgate do ser amado. O resto é Tarantino. O contador de histórias, de aventuras, que gosta de servir com boas doses de uma violência tão sangrenta quanto surrealizante, diálogos hilariantes, linguagem pop e uma banda sonora a embrulhar o conjunto, que resulta numa composição cinemática infalível. Entretenimento. Ponto.

E gagueja agora a menina da rádio, que o entrevista: Porquê ?

E responde sem mais, Tarantino: for fun.  Que é, como quem diz, puro prazer. Um for fun que outro realizador, Spike Lee, não ouviu porque reagiu antes. Disse ele que não iria ver o filme  porque Tarantino, não tinha o direito de fazer da escravatura, o tema de um Western Spaghetti. Ou seja a escravatura não era território para rir. Ele, Spike Lee, sentindo-se herdeiro de escravos, retirados de África, achou que devia essa recusa em ver Django, aos seus antecessores que viveram nas fazendas retratadas no filme.  Para Lee, a escravatura foi tão brutal, que não podia ser retratada num Western Spaghetti à Sergio Leone.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Sumário

Este blog vai albergar na sua escrita e imagens, as impressões de algumas pessoas, sobre vários assuntos como o cinema, livros, política e viagens. Eventualmente, incluirá outros itens.
Pretende-se simples, à medida da capacidade de  compreensão dos relapsos autores.
Não nos iludimos, quanto ao carácter fidedigno das impressões originais e menos ainda quanto à sua tradução escrita. Sabemos que a  memória é um bicho esquisito e  escorregadio, que frequentemente muda de pele. E quando as palavras ou imagens entram em cena,  o bicho assume as feições de um verdadeiro mutante.
Mas isso só terá importância para os autores e para os dois ou três mirones ou bêbados que tropeçarem neste blog.
Blog que tem desde já, o destino traçado: morrerá à nascença ou excessivamente maduro, como o Manuel de Oliveira, que Deus, insiste em não ter.
Escusam de fazer greve de fome ou acorrentarem-se ao portão do HSJ. Quando chegar a hora de apagar as luzes, não choraremos.
Como é de bom tom, em mentes simples, despedimo-nos, com a frase da moda, a mais humana , mas também a mais imbecil:  "Tudo de bom !".